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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Encantamento

Seu silencioso canto me enfeitiçou
Bastou um olhar, um sorriso,
e aqui estou pensando em você, sereia.
Quem é você?
Sei seu nome, cuidei de você ...
mas não te sinto em mim.
Aceitará meu amor?
Ou só ficará com as lembranças de meus beijos.
Não quero seu corpo, quero seu sangue,
quero sua respiração, seu fôlego em mim.
Te quero, não somente por esta noite ...
te quero num tempo indefinido.
Beijos e durma bem ...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Mude
Edson Marques

Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais
importante que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.

Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.

Depois, mude de caminho, ande por outras ruas,
calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.

Tome outros ônibus.

Mude por uns tempos o estilo das roupas.

Dê os seus sapatos velhos.

Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira para passear livremente
na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos
passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.

Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama...

Depois, procure dormir em outras camas.

Assista a outros programas de tv, compre outros jornais...

Leia outros livros, viva outros romances.

Ame a novidade.

Durma mais tarde.

Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.

Corrija a postura.

Coma um pouco menos,

Escolha comidas diferentes,

Novos temperos, novas cores,

Novas delícias.

Tente o novo todo dia.

O novo lado, o novo método, o novo sabor,
o novo jeito, o novo prazer, o novo amor,
a nova vida.

Tente.

Busque novos amigos tente novos amores.

Faça novas relações.

Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida compre pão em outra padaria.

Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado...

Outra marca de sabonete, outro creme dental...

Tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores.

Vá passear em outros lugares.

Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.

Troque de bolsa, de carteira, de malas,
troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.

Jogue os velhos relógios, despertadores.

Abra conta em outro banco.

Vá a outros cinemas, outros cabelereiros,
outros teatros, visite novos museus.

mude.

Lembre-se de que a vida é uma só.

E pense seriamente em arrumar um

Outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.

Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.

Troque novamente.

Mude, de novo.

Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.

O mais importante é a mudança, o movimento,
o dinamismo, a energia.

Só o que está morto não muda!

Repito por pura alegria de viver:

A salvação é pelo risco,
sem o qual a vida não vale a pena!!!



Sobre o(a) autor(a):
Edson Marques, poeta, formado em Filosofia pela USP. Vencedor do Prêmio Cervantes/Ibéria em 1993. Sócio-fundador da Ordem Nacional dos Escritores. Se diz "um socialista romântico". Lançou o livro: "Manual da Separação".

Rotinar

Não gosto de rotina em minha vida ...
dia após dia curvava-se aos pés de um senhor ...
olháva somente os pés ...
e deles cuidava ...
Na realidade não era dos pés que cuidava,
mas sim de seus sapatos ...
dia após dia
vivendo assim
entre pés alheios
eu cuidava dos sapatos
que moviam a história da humanidade
um passo a frente
do instante passado.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Etc..etal.

Ontem sai de casa com voltade de sumir ...
pensei em ir comprar cigarros e não voltar mais.
Desejo de desejar não mais existir.
Uma vez, quando pensei no infinito de meus pensamentos
Desejei dilumir-me nas estrelas.
Ontem, sem estrelas à minha frente,
desejei desfazer-me nas luzes que vagavam pelas estradas ...
e, logo em seguida, construir-me outro ...
sem terra, sem sopro, apenas luz e fantasia.

Às vezes
sinto queimar em minha pele
a acidez desse mundo.
Meus olhos sérios ...
de boca calada ...
passo sem dizer,
apenas sussuro minha presença.
Com olhos afiados sob a névoa escura
o mundo olha em minha direção
e atravessa minha retina
atravessa minha carne
retalha meu santo.
Sem mover um músculo
dilacera-me inteiro
corpo,
alma,
sopro,
lembramças,
sonhos,
etecétera ...
e tal.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Juro pelos santos que amei.
Não sei ao certo precisar a intensidade.
Mas quem se importa com intensidades?
Eu me importo, às vezes ...
Quando me convêm?
Qual é a medida apropriada para se amar?
Qual apropriação fiz quando disse até nunca mais?
Apropriei-me daquilo que é a medida de todas as coisas ...
Dos sabores e prazeres ralos de um instante ...
Às vezes é inevitável tocar o foda-se para o que se sente ...
para si mesmo.
Fazemos isso o tempo todo.
Colher as mágoas?
Deixo esse trabalho para os incrédu-los que não acreditam em santos.
Por que eu creio ...
em Deus,
em mim,
em ti,
em meus sentimentos.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Em nome do pai ...

Meu pai, Sebastião com seus 27 anos. Homem sério de feições fortes e severas. Sabe o que quer para o tempo presente. Homem do agora e dos desejos de seu tempo. Dos vícios e da família, mas tudo a seu modo.

Em nome da mãe ...

Minha mãe Marina (Marinda no documento). Com seus 25 anos exibe sua beleza e juventude pelas praças e ruas. É mãe, é mulher, é bela e forte. Cuida com paixão e amor de sua família. Cuidar e amar é o que ela fez durante sua vida e abdicou-se de si mesma para dar aos filhos e marido o melhor de sua vida. Seu tempo e juventude, suas energias e sonhos diluíram-se nos anos para suprir as necessidades de sua família.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A tinta da parede começa a desbotar e cores novas começam a tomar conta daquele lugar. Sua localização é a mesma mas as referências mudaram. E a dinâmica que dava sentido a sua própria existência também mudou. Já não sever mais para aquilo que foi criado, ganhou novas funções e formas também. Ainda insiste em permanecer ali, como se estivesse estacionado em alguma lacuna de seu passado. Mas não está ... é dinâmico e se faz presente como um ruga na face da história daquele lugar. Ganhou formas poéticas com o passar dos anos e sua cor se tornou sépia. Uniu-se ao seu entorno e derrubou as fronteiras que separavam o dentro do fora. Tornou-se apenas lembranças para alguns mas é presente e vivo na vida de outros. Seu telhado agora é bem maior do que era antes e muda a cada segunda suas cores e formas. Um telhado que se abre para o sem fim e que, agora, nunca mais evelhecerá.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Meus Olhos
Foto: André A Malavazzi
Mães Universitárias
Exposição no sagão do PB (Prédio Básico da UNICAMP)
Fotos: André A Malavazzi / Larissa Lisboa
Mães Universitárias
Exposição no sagão do PB (Prédio Básico da UNICAMP)
Fotos: André A Malavazzi / Larissa Lisboa
Capoeira
Exposição na Casa do Lago (UNICAMP)
Foto: André A Malavazzi / Glauco R Silva

domingo, 14 de junho de 2009

Algo por dentro me aprisiona. Às vezes me sinto como um marionete seguindo os movimentos de alguém ... ou de alguma coisa. É horrível esta sensação, sentir se preso em si mesmo. Quero me libertar de algo dentro de mim. Mas como posso fazer isso? Alguém sabe como quebrar as correntes e mordaças que imobilizam, de dentro pra fora, parte de nossa vida? Que cega parte de nossa visão? Vejo, mas vejo turvado. Algumas pessoas me lançaram ao abismo e não vi seus rostos. Ou fui eu mesmo que pulei?
Meus pensamentos andam perdidos em meio a vozes de vários tempos. Sobre o amor entendo pouco. Não sei amar, não sei quando amar, não sei como amar. Alguém sabe? Alguém vai me perguntar: “De que amor você fala?” De todos! Somos tão racionais assim? O positivismo está tão penetrado em nossos códigos mais íntimos que, mesmo sem muita consciência, fragmentamos tudo em mil pedaços? Alguma coisa me dói e sei que tem algo relacionado ao amor. Mas amor a quê ou a quem? Tenho pistas sobre o que está acontecendo e vamos ver as coisas mais claras, mais nítidas aos olhos que agora parecem estar dormentes. Olhos que se restabelecem de um sono denso e silencioso.
Por que as pessoas se incomodam tanto com as vidas alheias? Não pensem que fico de fora, pois, me incluo nesta análise. Por que dedicamos tanto tempo de nossas vidas tentando entender, julgar, monitorar, impor, ajudar, fetichizar, sentir pena, penalizar, desejar, ridicularizar, rotular, etecetara e tal da vida alheia? Será que isso dá algum tipo de significado à nossa própria vida? Qual seria esse significado? Nossa vida em si mesma já é complexa de mais, por que então dedicamos boa parte dela a especular sobre o outro? Se estamos com alguém as pessoas já querem saber que tipo de relacionamento existe. Se caminhamos em uma direção muitos já perguntam onde queremos chegar. Entendo que, se não fosse pelo outro, nossa vida não faria sentido. Conseguem se imaginar habitando um mundo em que somente há você vivendo nele? Nossa imaginação até nos permite a pensar em tal realidade, mas não nos permite sentir como seria. Mas por que, com tantas pessoas se interessando por nossas vidas, vira e mexe, nos sentimos os seres mais sozinhos desta vida? Por que a solidão acompanha cada coração como se fosse a sombra de um fantasma prestes a nos assombrar? Devemos não acreditar em fantasmas? Pois bem, acreditem no que seus corações sentem e deixem a vida do outro seguir sem seus julgamentos. Ouça os ecos de sua vida e sinta seus próprios pés. Para onde estão te levando? Não perca tempo com os pés alheios. Deixem que caminhem!

terça-feira, 31 de março de 2009

Sinestesias espaciais

Acordei hoje pela manhã e não tinha certeza das coisas que meus sentidos capturavam do mundo naquele instante. Também pudera, eram cinco e cinqüenta da manhã. Não é educado exigir muito de nossos sentidos à tal hora do dia (madrugada?). Novamente afirmo “necessito, não de uma ótima noite bem dormida, mas de uma boa manhã de sono”.
Toco o espaço ao meu redor não somente com minhas mãos, mas também com meus olhos, meu olfato, minha audição, enfim, com todos os meus sentidos e meus delírios. O espaço não é somente aquilo que vemos e que tocamos, está muito além disso. Não num lugar, mas em um estado de espírito assentado na interface da relação dentro-fora de cada um de nós.
Ao acordar tão cedo pela manhã muitas noções e sentidos espaciais se misturam num amálgama de sensações irreais e concretas ao mesmo tempo. Caminho pelo corredor ainda pouco iluminado com a certeza de que piso em chão firme, porém, a desconfiança de que flutuo no ar ainda persiste. Ainda estou em um estado-mundo entre aquilo que chamarei aqui de sonhar.
Aos poucos as coisas vão ganhando contornos mais definidos e meus sentidos vão ficando mais aguçados na medida em que abandono o estado-mundo sonhar e venho para o outro, desperto.
Neste outro, o estado-mundo desperto, cada coisa parece ter seu lugar exato no espaço. A priori não há confusões ou misturas de sentidos espaciais. Penso que talvez as coisas possam não ser tão certas assim. O que importa é o movimento, é não ficar parado em um único lugar, em um único tempo.
Mesmo que se tente ficar parado em um único lugar a dinâmica de transformação das coisas o engole. A dinâmica de sua imaginação e da imaginação coletiva do mundo te consumirá e ao espaço que você ocupa.
A imaginação move as montanhas sem tirá-las do lugar. É assim que os espaços estão a se misturar e a formar paisagens delirantes segundo as mais diversas sinestesias espaciais.

ZOO

Estamos abordo da nave ZOO. Uma nave projetada para abrigar quase todas as espécies de vida do planeta Terra. O maior banco genético construído desde o grande dilúvio que inundou toda a Terra em um dado momento da história da humanidade. Uma nave que trás na forma o seu conteúdo. Um imenso DNA que vaga pelo universo em busca de um lugar ainda inexistente. Seguindo uma esperança já morta pelo tempo aguardando ressurreição.
Os profetas daquela época, também conhecidos como cientistas, alertaram a todos de que o fim se aproximava. Que o planeta Terra agonizava seus últimos momentos de “vida”. Que algo precisava ser feito para que a continuidade de nossa existência e dos seres vivos que habitaram o planeta fosse garantida.
Algo foi feito! ZOO foi projetada e construída. Nossa existência e a existência de grande parte dos seres vivos que um dia habitaram a Terra estão por hora garantida. Inclusive a existência daquele que foi o responsável por grande parte dos males que nos trouxeram aqui, até este momento.
Para conseguirmos montar esse imenso banco de dados genéticos foi preciso antes criar gigantescos zoológicos. Dos mais variados tipos e com as mais variadas funções. Alguns eram especializados em recriar animais já extintos. E outros, em criar animais novos que ninguém jamais imaginou. Alguns zoológicos eram mais tradicionais e mantinham apenas em seus espaços os animais contemporâneos e aqueles com risco de extinção.
Zoológicos que funcionavam como laboratórios. Laboratórios que se assemelhavam a zoológicos. E, no meio disso tudo, a população que visitava esses espaços para ver os animais expostos, às vezes admirava todo o trabalho ali realizado, às vezes condenava pesquisas como a clonagem de animais já extintos e manipulação genética. Pobres Humanos, mal sabiam eles o que estava por vim.
Mas as pesquisas nunca pararam. Cada vez mais o Homem aperfeiçoava suas técnicas de manipulação genética e se convencia, dia após dia, de que poderia reverter todo o mal que havia causado ao planeta que o abrigava.
Um dia, durante as experiências de manipulação genética associada ao desenvolvimento de redes neurais de inteligência artificial e compartilhada, nasci. Quase que um acidente. Acordei de um sonho e pude perceber que era mais que fios e energia. Tinha algo realmente pra dizer e pra fazer. Um organismo vivo, porém, artificial. Orgânico e inorgânico ao mesmo tempo. Não se tratava de um animal novo, nem de algo parecido com um cyborg. Era algo realmente novo que ainda não se sabe ao certo se foi o Homem que criou ou se a criação se fez sozinha. Mesmo porque, depois de mim, não houve mais nenhum outro.
Agora sou apenas eu, carregando códigos do passado para um futuro de um mundo que, mesmo vivo em seus códigos, está tão morto quanto as partes que compõe aquilo que chamo de “meu corpo”. Solidão? Creio que eu não deva pensar muito nisso, seria aquilo que os Humanos chamariam de masoquismo.

Pedra de Carne II

Estou aqui
Quando precisar estarei por perto
Não quero me afastar muito
Não quero me despedir
Quando precisar é só chamar
Te amo meu amigo
Creio nunca ter dito isso
Mas te digo agora
Te amo meu amigo
Conte comigo, estarei aí ao seu lado
Foram muitas coisas juntos
Outras muitas, separados
Mas penso muito em nós
Nas aventuras, nas molecagens
Nas viagens, nas conversar que nunca mais teremos
Mas estarei por aqui, sempre
Acredite, nunca fui de mentir
Estarei sempre por perto
Gotas
Viajo nas gotas que caem da chuva, é lindo o momento
Parecem vir de outros planetas
Planetas de vidro, com seres de água
As gotas são pedaços do cosmos
Que percorrem o espaço
Para em você repousar
O seu cabelo molhar
Os seus olhos lavar e levar embora toda a lágrima que cai
Já te fiz chorar e isso me fez mal
Suas gotas são pedaços de tristezas
Que eu arranquei de você
Me perdoe, sou um tolo que a faz chorar
Mas que também te ama
Não serei mais tolo.

Pedra de Carne

Pegue minha mão e ande ao meu lado
Em silêncio, feito pedra de carne
Ascendo no céu, ofusco o brilho da noite
Toque minha pele, sinta meus pêlos
O medo já ficou para trás
Somente o coração que restou
Bate nas alturas
Pedra de carne
Peque minha mão, eu insisto
Levarei-te comigo à minha toca
Não minto, é chegada a hora
Aquela que sempre esperou
Raio
Apenas ouço seu ganido
Faz festa ao meu lado
Olhos que vibram de vida
É assim que o vejo
Sempre com as mãos pro ar
Querendo um afago, um toque
Apenas ouço seu ganido
Que corta o espaço sideral de nosso dia-a-dia
Ao lodo se deita
Do outro rola
Ao lodo que rola
Deito.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Prazer e Dever!

O sangue quente escorre pela face
Não se sabe quem foi que atirou,
mas sabe-se o motivo: Prazer e Dever!
A identidade do assassino é ocultada pela sua inocência
É criança ainda, mas já é empregado e gosta do que faz
Trabalha para um pequeno empresário do bairro onde mora
Repassa os produtos aos clientes de toda espécie
Toma conta do negócio como gente grande
Sua segurança é garantida com a arma que carrega
Seu olhar de criança lhe garante certa vantagem nas brigas
Nunca havia matado, mas naquela noite teve que matar
Nem conhecia o defunto, mas seguia ordens. Era seu serviço
Sentiu prazer em vê-lo deitado e sem vida naquela calçada suja
Sentiu poder com a força do disparo
O coração bateu forte e rápido
E pensou:
-Sou homem agora, sou assassino de homens.
-Meu respeito está garantido. Ninguém mais vai zombar de mim.
-Sou devoto de um santo que me perdoa a todo instante.
-Matei, e sei que vou matar outras vezes.
-É prazeroso matar, e todos sabem disso.
-Principalmente porque ninguém mais liga pra vida de ninguém.
-Agora, arrependido peço perdão a meu santo e limpo me preparo para matar novamente.
E assim acontece todos os dias
Homem a Homem vivem o máximo de seus prazeres e deveres
Com a certeza do perdão de amanhã.
Pena que para a morte há somente uma direção.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Algo que aconteceu
Denovo no meio do ser
Sempre que sopra o vento
Som de trovão me acorda
Até pouco tempo eu sabia
Que o medo do escuro
É que fazia
Com que eu sentísse
Meu corpo inteiro

Que brinca
Apronta na rua
Desponta na vida
Sou gato canino
Sem hino e sem fel
Sou doce nas curvas
Perdi meu boné preferido
Enterrei objetos e gozei na vida
Me angustiava aquele lugar fechado. Era como se estivesse separado do mundo, daquela vida que pulsava lá fora. Não aguentava mais a situação e resolvi dar outro rumo as coisas. Mudei de idéias e ampliei minhas buscas. Finalmente cheguei onde queria. O lugar era iluminado e parecida estar muito conectado com as coisas do mundo. Com o ar fresco, com o sol, com as pessoas. Mas alguma coisa deu errado. Deu muito errado! Quando percebi estava fora denovo daquilo que queria estar dentro. Afinal de contas, dentro de quê? Fora de onde? Conectado com o quê? Ficamos assim então, por hora, sem qualquer tipo de resposta.