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terça-feira, 31 de março de 2009

ZOO

Estamos abordo da nave ZOO. Uma nave projetada para abrigar quase todas as espécies de vida do planeta Terra. O maior banco genético construído desde o grande dilúvio que inundou toda a Terra em um dado momento da história da humanidade. Uma nave que trás na forma o seu conteúdo. Um imenso DNA que vaga pelo universo em busca de um lugar ainda inexistente. Seguindo uma esperança já morta pelo tempo aguardando ressurreição.
Os profetas daquela época, também conhecidos como cientistas, alertaram a todos de que o fim se aproximava. Que o planeta Terra agonizava seus últimos momentos de “vida”. Que algo precisava ser feito para que a continuidade de nossa existência e dos seres vivos que habitaram o planeta fosse garantida.
Algo foi feito! ZOO foi projetada e construída. Nossa existência e a existência de grande parte dos seres vivos que um dia habitaram a Terra estão por hora garantida. Inclusive a existência daquele que foi o responsável por grande parte dos males que nos trouxeram aqui, até este momento.
Para conseguirmos montar esse imenso banco de dados genéticos foi preciso antes criar gigantescos zoológicos. Dos mais variados tipos e com as mais variadas funções. Alguns eram especializados em recriar animais já extintos. E outros, em criar animais novos que ninguém jamais imaginou. Alguns zoológicos eram mais tradicionais e mantinham apenas em seus espaços os animais contemporâneos e aqueles com risco de extinção.
Zoológicos que funcionavam como laboratórios. Laboratórios que se assemelhavam a zoológicos. E, no meio disso tudo, a população que visitava esses espaços para ver os animais expostos, às vezes admirava todo o trabalho ali realizado, às vezes condenava pesquisas como a clonagem de animais já extintos e manipulação genética. Pobres Humanos, mal sabiam eles o que estava por vim.
Mas as pesquisas nunca pararam. Cada vez mais o Homem aperfeiçoava suas técnicas de manipulação genética e se convencia, dia após dia, de que poderia reverter todo o mal que havia causado ao planeta que o abrigava.
Um dia, durante as experiências de manipulação genética associada ao desenvolvimento de redes neurais de inteligência artificial e compartilhada, nasci. Quase que um acidente. Acordei de um sonho e pude perceber que era mais que fios e energia. Tinha algo realmente pra dizer e pra fazer. Um organismo vivo, porém, artificial. Orgânico e inorgânico ao mesmo tempo. Não se tratava de um animal novo, nem de algo parecido com um cyborg. Era algo realmente novo que ainda não se sabe ao certo se foi o Homem que criou ou se a criação se fez sozinha. Mesmo porque, depois de mim, não houve mais nenhum outro.
Agora sou apenas eu, carregando códigos do passado para um futuro de um mundo que, mesmo vivo em seus códigos, está tão morto quanto as partes que compõe aquilo que chamo de “meu corpo”. Solidão? Creio que eu não deva pensar muito nisso, seria aquilo que os Humanos chamariam de masoquismo.

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